Por: Muryllo Simon e Larissa Ferreira
Com o crescimento no uso das redes sociais, jornalistas se conectam a elas, em busca de pautas, fontes e participam no compartilhamento de informações.
As redes sociais são utilizadas cada vez mais pelos jornalistas, que usam essas redes como fontes, observam as insatisfações, os comentários e as informações publicadas pelos usuários. A partir daí, pensam em construir matérias mais próximas do público a que se destinam. Além de encontrarem especialistas apropriados para o desenvolvimento de seu texto. Facebook, Twitter, Orkut, Linked, MySpace, Flickr, entre outras redes, recebem milhões de acessos diariamente, movimentam um enorme fluxo de informações e isso faz com que utilizem cada vez mais este tipo de mídia. Elas também auxiliam na confirmação de informações e nas redes podem encontrar um novo enfoque, pautas e completam uma devida apuração.
É necessário um cuidado redobrado, ao apurar um fato pelas redes. No universo das redes sociais há informações confiáveis e há milhares de informações sem qualquer credibilidade. Para a jornalista política, que atua como editora adjunta no portal RDnews poderes e bastidores, Patrícia Sanches, muitas vezes a fonte dá apenas dicas do que está acontecendo, o jornalista precisa sempre checar. Em outras escreve um relato longo, mesmo no Twitter, dividindo o que precisa dizer em várias postagens. “Buscar as fontes antes da publicação, deixar claro de onde partiu a informação, é importante, pois ao publicar o jornalista se resguarda e a reportagem tem mais valor”, indica ela. O repórter atuante na tv integração na cidade de Alto Araguaia, em Mato Grosso, Rogério Rodrigues, completa dizendo “Não acredito que algo possa se apurado exclusivamente nas redes sociais, mesmo que o perfil seja de uma empresa creio que existem formas mais confiáveis de apurar dados. Logicamente as fontes vivas são um atrativo a mais na apuração e na credibilidade das notícias, mas as redes cumprem seu papel sem deixar a desejar”.
A participação do público, antes limitada a uma seção no site ou no portal da empresa jornalística, agora ocorre em fluxo contínuo. O material avança com uma rapidez e é lido por um número maior de pessoas. Lá os leitores, deixam seus comentários, insatisfações e contribuem com o retorno, para o trabalho dos jornalistas. Segundo o jornalista, bloggeiro e professor na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Barra do Garças, Alfredo Costa: “eu verifico constantemente que as matérias que publico em meus blogs, quando compartilhadas nas redes, há um retorno mais significativo por parte do público. O twitter funciona como um turbinamento para o blog. Replico as matérias em diferentes horários, para atingir um número maior de leitores.” Já Patrícia, diz que pelo material correr com uma velocidade muito maior, é fácil obter um retorno por parte dos telespectadores. “O retorno é instantâneo nas minhas páginas de redes sociais, via telefone, e-mail e comentários nas matérias do site compartilhadas nas redes. Os leitores são muito mais ativos que antigamente”, declara.
| Como não está atuando como jornalista, o professor Alfredo Costa, sugere pautas, sugestões nas redes. " Vi que foram utilizadas, esse é meu retorno", diz ele. |
Para os profissionais do jornalismo as redes sociais funcionam como canal de coleta e distribuição da informação. Nelas, eles podem reunir assuntos com condições para transformar em notícia e assim podem publicar um maior número de notícias e material jornalístico em diferentes formatos. Para o jornalista e professor na Universidade de Cuiabá (UNIC), Aluízio de Azevedo, como tudo na internet, há o lado bom e ruim. É preciso saber peneirar, saber a quem, a que perfil recorrer, mas seguramente há muita coisa interessante. As redes sociais são de tudo um pouco, nelas tanto pode recolher ou filtrar informações. “A vida é uma rede, a cultura é uma rede. Nós vivemos nas redes identitárias, sociais. Então, a mídia internet, especialmente esses movimentos como facebook, orkut, google mais, you tube, e até mesmo os e-mails, chats, comunidades virtuais, tudo é muito parecido com o mundo real e até se confunde”, esclarece Aluízio. O repórter, Rogério, utiliza as redes para as duas coisas na mesma proporção. “Divulgo o que produzo e consumo o que é produzido por colegas de profissão, amigos e empresas de comunicação”, diz.
Para Alfredo Costa, a experiência vivida por meio das redes considera positiva. “Basta cumprir a ética profissional e não fazer com o próximo àquilo que não quer que façam com você”, afirma. Rogério também afirma que felizmente ainda não teve nenhum problema em utilizar as redes como ferramenta de seu trabalho. “Creio que todos nós podemos ser vítimas das redes a qualquer momento. Seja com plágio por parte de outro jornalista ou empresa de comunicação, seja com uma apuração superficial, que te leve a informar de forma errônea, ou até mesmo pelo simples fato de veicular um vídeo ou fotografia que te leve a um processo judicial”, assegura ele.
O bom êxito com o uso
A jornalista Patrícia, encontra diariamente nas redes, pautas, ideias para a produção de suas matérias. “Por meu foco ser política, sigo vários políticos no Twitter, os acompanho no facebook e em outras redes sociais. Assim, podemos saber o que está acontecendo, o que pensam, opinam. Às vezes flagro até brigas”, comenta ela. O professor Aluízio conta que já encontrou também várias pautas e sugestões. Inclusive fez um trabalho recentemente em pesquisa na rede para uma matéria, sobre a exoneração do cacique Megaron do cargo de diretor regional da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Marcio Meira. “Pela lista eu soube da demissão, articulei as entrevistas, recebi uma nota de repúdio e vi uma fala do Megaron postado num vídeo em um site. Até falei com o filho dele”, revela ele.
Rogério, também conta uma de suas atividades realizadas com o uso das redes sociais. Produziu uma matéria sobre uma comunidade quilombola no município que é pouco conhecida, e enfatizou o que a gestão do executivo municipal estava fazendo para melhorar a vida dessa comunidade. Ele publicou no site institucional, enviou a mesma, como de costume, para sua lista de contatos e postou a matéria no facebook e em seu blog. “A matéria além de bastante visualizada foi reproduzida por outros amigos que a compartilharam, e posteriormente publicada por outros veículos de comunicação de destaque, fora do estado, o que mais me chamou a atenção”, afirma ele.
| Twitter da jornalista Patrícia Sanches, nele busca fontes e segue políticos que é seu foco de trabalho. |
Observe uma pesquisa realizada pela PR Newswire – uma empresa líder em distribuição de conteúdo, especialmente em releases corporativos – que se interessou em saber de que forma os jornalistas brasileiros estão incorporando esses novos canais em sua rotina profissional. A empresa realizou, entre os dias 20 de março e 1º de abril, uma pesquisa online entre jornalistas, buscando entender de que maneira as redes sociais estão influenciando o trabalho deles. Ao todo 305 jornalistas de diferentes tipos de mídia (rádio, TV, jornal, revista e internet) e de várias partes do país responderam ao questionário:
· 79.7% dos jornalistas recorrem às redes sociais para entrar em contato com fontes.
· 73.4% elegeram o twitter como a rede social que mais pode auxiliar os jornalistas.
· 83.3% admitiram usar temas nascidos em redes sociais para pautarem seus veículos.
Os jornalistas que responderam a pesquisa mostraram ainda que, além de obter informações nas redes sociais, também gostam de dividi-las usando estes canais. Dos participantes:
· 33,8% disseram sempre replicar as matérias que escrevem em sites de relacionamento.
· 22% garantiram compartilhá-las ocasionalmente.
Parabéns Muryllo e Larissa. A temática do texto é muito interessante, e felizmente sobre este assunto temos diálogo para discutirmos por dias e dias. Continuem firme com o Jornalismo. "Tudo Vale a pena quando a alma não é pequena". Grande Abraço.
ResponderExcluirMuryllo ótimo post sobre redes sociais..concordo com você..o bom uso das redes é essencial! bjus querido saudades sempre
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